Deputado colhe assinaturas para CPI contra sonegação, critica Sefaz e vê morte de empresário em MT como possível 'queima de arquivo'

Wilson Santos (PSDB) disse ter colhido assinaturas suficientes para a abertura da CPI. Empresário acusado de sonegar R$ 140 milhões em impostos foi assassinado a tiros dentro de carro.

O deputado estadual Wilson Santos (PSDB) disse ter colhido assinaturas suficientes para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, para investigar a sonegação e a renúncia fiscal no estado, que ultrapassam a R$ 2 bilhões ao ano. O requerimento para a abertura deve ser apresentado na sessão desta terça-feira (12).

Segundo o parlamentar, dez deputados assinaram o requerimento para a instalação da CPI e o minimo necessário são oito. Ele diz esperar que nenhum deputado volte atrás e retire a assinatura, principalmente aqueles que fazem parte da base aliada do governo. "O governo prometeu que não vai pressionar os deputados da base", disse.

O parlamentar argumentou que a investigação é perigosa, porque mexe com interesses financeiros. “Nós vamos mexer com gente poderosa, com gente grossa. Com gente que sonega, e que sonega grosso”, afirmou.

Ele citou, em entrevista ao jornal Primeira Página, da Centro América FM, nesta terça-feira, o assassinato do empresário Wagner Florêncio, no domingo (10). Ele foi morto a tiros dentro de um carro, no Bairro Jardim das Américas, em Cuiabá.

"Ele estava envolvido em um esquema que sonegou R$ 140 milhões em impostos, ligado a tradings, provavelmente queima de arquivo. Realmente, é algo muito sério, muito grave", avaliou.

A polícia investiga a morte e nenhum suspeito do crime tinha sido preso até esta terça-feira.

Assim que a CPI for instaurada, Wilson disse que vai chamar os órgãos de fiscalização para explicar o que foi feito em relação aos relatórios das duas CPIs feitas anteriormente com a mesma finalidade, já que a Assembleia Legislativa investiga, mas o resultado da apuração é encaminhado a essas instituições para providências.

Segundo ele, Wagner Florêncio tinha uma pequena empresa que "esquentava notas fiscais" e mentia para a Fazenda que exportava as mercadorias. A nota era para a exportação, mas na verdade isso não acontecia.

"Vamos pedir apoio da Receita Federal para checar os portos e nos informar o que é verdadeiramente exportado de Mato Grosso", declarou.

A desejar

Para o deputado, a fiscalização feita pela Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) contra a sonegação fiscal deixa a desejar. O setor que controla a exportação faz um trabalho aquém do ideal.

"O setor é frouxo porque deixa passar quase tudo. Uma das relatorias que vamos propor aos colegas, membros da CPI, será investigar o trabalho da Secretaria de Fazenda sobre as exportações, onde há denúncias de gente importante da Sefaz de que ali é uma avenida onde a negligência, somada à falta de aparelhos modernos, e talvez algum dolo, permitem que as exportações de Mato Grosso corram frouxas", declarou.

A CPI deve ser presidida pelo próprio Wilson Santos e deve ter três membros da base do governo e outro da oposição.

 

Fonte: G1 MT