Pesquisa aponta redução de mortes por arma de fogo no horário de verão

14/09/2016 12:07

Diminuição seria de 14%; luminosidade prolongada é um dos fatores.
Professor de MT irá apresentar o trabalho em um congresso internacional.

Um trabalho científico de um pesquisador mato-grossense aponta que durante o período de horário de verão diminui 14% o número de assassinatos por arma de fogo. O resultado da pesquisa deve ser apresentado em um congresso internacional de economia. Weily Toro Machado, professor de ciências contábeis da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), é o autor do artigo.

A publicação tem como coautores os pesquisadores Breno Ramos Sampaio, doutor em economia pela Universidade de Illinois (EUA) e Robson Tigre, que faz doutorado em economia pela Universidade de Bolonha (Itália) e é inédita no país.

No ano passado, os docentes publicaram um artigo que relacionava a adoção do horário de verão com o aumento de mortes por infarto.

O número de homicídios foi levantado de acordo com os registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, entre os anos de 2006 e 2011 nos estados do sul, sudeste e do centro-oeste, onde o horário de verão é adotado.

Segundo o docente, o artigo é um dos capítulos da tese de doutorado e que pesquisadores norte-americanos já demonstram que existe uma queda de 7% no número de roubos durante o período de horário de verão no país, que também adota a política. Uma variável em específico chamou a atenção do pesquisador para a realização do estudo.

“O que nós observamos é que, na literatura de pesquisas sobre o crime, a variável luz é uma questão importante para a tomada de decisão do indivíduo cometer o delito ou não. Partindo desse raciocínio, pensamos em verificar se o horário de verão, que é um experimento natural, era relevante ou não no número de homicídios”, explicou.

Machado disse que a chamada “teoria do crime” é uma questão acadêmica multidisciplinar e que serviu como base para o trabalho. A teoria avalia questões relevantes que contribuem com a criminalidade, como o fato de que um criminosos considera sua atuação como um trabalho.

“Ela [teoria do crime] diz também que o bandido leva em consideração a possibilidade de ser visto na hora do crime. Nesse quesito, a luminosidade é um importante fator facilitador da identificação e até da prisão da pessoa. Ou seja, os contraventores sempre optam por condições que favoreçam o êxito de sua ação”, pontuou.

Por causa da complexidade de fatores que geram e aumentam a criminalidade, o trabalho foi realizado através de um método chamado de “econométrico”, onde é possível eliminar possíveis variáveis que poderiam afetar a questão.

“Nós tomamos o cuidado de analisar se o crime, por exemplo, não se deslocaria para outro horário. O fato é que a pesquisa mostrou que isso não acontece. Ou seja, a queda na criminalidade é geral, independentemente do momento do dia. Durante o dia inteiro a queda foi de 3% e a análise durante o período do por do sol demonstrou que a queda varia entre 6% e 8%”, afirmou.

Evento internacional
O trabalho será apresentado em um congresso realizado pela Associação de Economia da América Latina e do Caribe (Lacea). O evento, que é o maior da área de economia do continente, será realizado no período de 10 a 12 de novembro na Universidade Eafit, na Colômbia. Entre os participantes do evento estarão pesquisadores como James J. Heckman, Finn E. Kydlan e Edmund S. Phelps, três vencedores do Prêmio Nobel em Economia.

A expectativa em relação ao evento é grande e o objetivo dele é alertar que o horário de verão e as suas consequências deveriam ser melhor pesquisados e questionados.

“[O horário de verão] é um negócio que comprovadamente muda o comportamento das pessoas. E os governos precisam fazer uma avaliação dos efeitos dessa política para o cidadão dessas cidades. Enquanto pesquisador, não quero falar se o horário é bom ou ruim, o que eu quero é demonstrar que existem varias questões que podem e devem ser consideradas”, comentou.

Machado, que é natural de de Lambari D'Oeste, a 327 km de Cuiabá, estudou em escola pública durante o ensino médio e depois realizou magistério na cidade natal. Depois disso, ele cursou contabilidade na Unemat em Cáceres, a 250 km da capital, fez mestrado em administração na Universidade  Autónoma de Assunção e doutorado em economia na UFPE.

 

Fonte: G1 MT