Gota d'água para queda de Medina foi tentar associar a AGU à Lava Jato

09/09/2016 19:35

A gota d'água para a queda do advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, foram afirmações feitas recentemente por ele de que tinha a intenção de que a AGU se associasse à Lava Jato para investigar políticos.

O anúncio havia criado problemas para o governo e líderes aliados chegaram a questionar as atribuições da AGU, argumentando que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal são os órgãos competentes para tratar do caso.

Na avaliação de interlocutores do Palácio do Planalto, Osório estava querendo ganhar uma visibilidade política no cargo e também ganhar protagonismo na própria Operação Lava Jato, o que seria incompátivel com o cargo de advogado-geral da União.

Esse não foi o primeiro problema de Osório à frente do cargo. A insatisfação no Planalto já era visível desde as primeiras semanas do governo Temer. Auxiliares palacianos culpam Osório pelo fato de ter perdido o prazo na defesa do governo em relação aos procedimentos da EBC, o que levou à decisão do ministro Dias Toffoli de ter reconduzido Ricardo Melo ao comando da empresa.

Outro incidente que criou constangimento foi o fato de Osório ter insistido em voar em jatinho da FAB.

Ao mesmo tempo, Michel Temer viu na possibilidade de remover Osório fazer dois gestos: prestigiar a carreira da AGU e indicar a primeira mulher para o primeiro escalão com o convite feito a Grace Mendonça.

Grace recebeu elogios dos dois ministros do Supremo que já passaram pela AGU, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, e da ministra Carmen Lúcia. 

A própria Grace é quem usava a tribuna no Supremo para defender interesses da União. Medina Osório nunca tinha feito sustentação oral no tribunal.

Na avaliação de um interlocutor do governo, as ambições políticas de Osório estavam à frente dos interesses do governo. "Ele ainda não tinha desembarcado em Brasília", disse esse interlocutor do Planalto, numa referência de, vindo do Rio Grande do Sul recentemente, que Osório ainda não tinha conseguido se adaptar aos códigos de liturgia da capital

 

Fonte: G1