Fotógrafo refaz caminhos trilhados pela Comissão Rondon

01/09/2016 13:07

Releituras de paisagens e imagens garimpadas de acervos históricos nacionais por Mario Friedlander

Segue em cartaz no Memorial Rondon em Mimoso (a 123 km de Cuiabá), a exposição de fotografias "Paisagens de Rondon". O espaço, entregue à população pelo Governo do Estado com o propósito de salvaguardar parte da história e dos feitos do mato-grossense nascido no Distrito de Santo Antônio de Leverger, abriga um importante trabalho documental, idealizado pelo fotógrafo Mario Friedlander, que pode ser apreciado gratuitamente de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas.

Obstinado, há mais de um ano Friedlander tem desbravado alguns dos caminhos trilhados por Rondon, tendo como base os trabalhos realizados pela Comissão Rondon. O projeto da exposição recebe incentivo da Secretaria de Estado de Cultura.

Friedlander já percorreu mais de 25 mil km entre Rondônia, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, viajando de carro, barco, avião e a pé, para recriar em fotografias alguns dos lugares por onde Rondon passou. Nesta mostra produzida pela Acênica, o fotógrafo ressalta que além das imagens de sua autoria, revela ainda um importante arcabouço de registros iconográficos deixados por Rondon na passagem por estes mesmos lugares.

“Desde a primeira das expedições, que teve início em 1890, até os dias de hoje, várias foram as transformações que Mato Grosso vivenciou. O que era sertão, virou áreas de plantio, de pastagens e abriga inúmeras cidades. As populações indígenas que dominavam muitas das paisagens por ele visitadas, hoje moram em reservas, sendo que algumas deixaram de existir”, destaca.

No contato com as populações de diversas etnias e habitantes das cidades que surgiram ao longo do século XX, em espaços também percorrido por Rondon e seus subordinados, Friedlander testemunhou um esvanecimento da memória do próprio Rondon.

“Vivemos em constante contato com a trajetória do Marechal, ainda que por muitas vezes não tenhamos conhecimento. Rodovias federais como a BR 364 e a BR 070 seguem os traçados das linhas telegráficas, assim como estações que deram origem a cidades diversas, como Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena”, cita. O reconhecimento científico que primeiro se elaborou das potencialidades de Mato Grosso – que deu origem aos estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul –, tiveram a assinatura dele.

Vários aspectos são enfocados por Mario Friedlander, que se ampara em uma importante pesquisa documental realizada por uma equipe multidisciplinar, tendo orientações do historiador João Antônio Lucídio. Toda a releitura das ações de Rondon é baseada em fotos e relatórios sob a guarda pelo Museu do Índio/RJ, do importante acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, além de contar com acervos privados.

“Se hoje podemos contar com tal acervo documental visual, é graças à formação científica que Rondon recebeu e ao seu tino de liderança. Sabedor da importância da imagem como comprovativo das suas ações em muitas das expedições que comandou ou mesmo naquelas sob a direção de seus subordinados sempre dispunham de fotógrafos e/ou cinegrafistas que faziam o registro dos trabalhos de campo.

Infraestrutura disponível aos visitantes

A região conta com um valioso patrimônio histórico a ser descoberto. Próximo a Baía de Chacororé, um dos portões de entrada para o pantanal mato-grosssense, o Memorial Rondon está localizado no Distrito de Mimoso (distante 123 km de Cuiabá) município de Santo Antônio de Leverger (distante 34 km de Cuiabá).

A Rodovia MT 040 está pavimentada até a comunidade de Mimoso, e conta com estrutura de postos de abastecimento com conveniências e alguns restaurantes e lanchonetes.

Há restaurantes onde são servidas comidas típicas pantaneira. O visitante que quiser pernoitar, conta com uma pousada, com acomodações modestas, localizada no centro da comunidade, em frente ao Memorial Rondon.

 

Fonte: SEC-MT