Ambientalistas dizem que saneamento precisa ser mais discutido com a sociedade

25/11/2016 03:00

 

A necessidade de ampliar a participação da sociedade na discussão sobre tarifas de saneamento foi um dos principais pontos levantados pelos participantes da roda de conversa Tarifas de Água e Esgoto: Abrindo os Números para o Debate. O evento aconteceu hoje (24), promovido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e a Aliança pela Água.

“Você vê pessoa discutindo a conta de energia, de celular e o plano de celular. Agora, o plano de água, a conta de água, ninguém discute”, destacou o diretor-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Santos-Reis. Para o empresário, aproximar a população do tema é um “ponto crucial” para melhorar os serviços de saneamento no país. “Nos centros urbanos, a maioria das pessoas nem vê a sua conta de água. Quem paga a conta de água é o próprio condomínio”, exemplificou para mostrar que o usuário mediano nem toma conecimento de questões como a composição das tarifas.

A forma como são estabelecidos os valores cobrados pelo fornecimento de água e coleta de esgoto foi criticada por Reis. “A conta é feita de trás para frente. Quanto que você consegue cobrar, quanto você vai gastar para manter esse sistema e quanto vai sobrar para investir”, disse ele sobre o sistema em que as outorgas definem as tarifas a partir da concorrência de oferta de menor preço. Para ele, antes de se definir os valores seria necessário apresentar, de forma transparente, os custos para operação e a previsão de investimentos.

“Ele está pagando R$ 4 ou R$ 5 por metro cúbico [de água] e está fazendo uma decomposição sem muita transparência – quanto daquilo é salário, gasto, perda e quanto está se deixando de arrecadar. E, muitas vezes, no caso brasileiro, o que sobra para investimento é muito pouco”, explicou o executivo a respeito de como estão sendo estabelecidas as tarifas atualmente.

A Odebrecht Ambiental é, segundo Reis, a única empresa privada que administra uma empresa estadual de saneamento, a Companhia de Saneamento do Tocantins, adquirida. O braço do grupo brasileiro que atua no setor foi, no entanto, vendido em outubro, e deve ser transferido em breve para o grupo canadense Brookfield.

Essa estrutura também foi alvo de críticas do presidente do Conselho Diretor do IDS, João Paulo Capobianco. “Esse tipo de modelo não permite a participação de ninguém, muito menos da sociedade”, reclamou, enfatizando a importância da participação popular nessas decisões.

 

Fonte: Agência Brasil